Era 6 da madrugada e por algum motivo eu acordei (isso acontece com frequência, é sempre alguma moto ou qualquer outra coisa fazendo barulho) e olhei pela janela e lá estava a grama, por todos os lugares, isso é normal, porém o que aconteceu em seguida foi realmente estranho, eu vi uma coisa, não sei o que era, simplesmente era uma coisa e essa visão me deixou estarrecido por algum motivo, eu esperei, de pé, olhando o mato, a grama, as bananeiras e uma casa parcialmente construída que o dono nunca se deu o trabalho de terminar (por que? não sei, deve ter morrido), com medo, não o tipo de medo que se tem das alturas ou de avião mas o tipo de medo que diz que alguma coisa horrível está prestes a acontecer; o tipo de medo que diz "esta área é habitada pela presença maligna" agora que presença maligna você diz, será Satanás você pergunta, mas o diabo não existe não passa de folclore, lenda, fantasia e para meu desespero "a coisa" surge de novo, tão repentinamente como apareceu, o medo é tanto que não consigo nem pensar em me mexer, minhas conexões neurais dominadas pelo terror me colocam em estado tal qual o personagem principal de uma popular série de TV mexicana quando tem seus "piripaques", e outras e outras "coisas" surgem e ficam lá no quintal, perambulando, não consigo pensar se elas estão aqui para me fazer mal ou me matar, inexplicavelmente me liberto da paralisia e vou até o quartinho (que era pra ser da empregada mas eu não tenho empregada) e pego uma espingarda calibre 36 e alguns cartuchos (que carregara em uma ocasião de extrema paranóia) e volto ao meu quarto com o intuito de matar ou ao menos espantar as coisas (na hora me parecia uma boa ideia então não reclamem!) e assim o faço, ou melhor, tento fazer: coloco um cartucho na espingarda, engatilho e atiro PÁ!!!!!!!! e repito isso 6 vezes (porque apenas dispunha de 6 munições) e mesmo tendo mirado o melhor que podia nenhuma das coisas mostrou qualquer reação aos disparos; eu tenho certeza que acertei elas ou pelo menos o que estava atrás delas: eram invulneráveis os malditos!!!! foi a minha conclusão na hora é tempo de negociar um acordo de paz eu penso e saio de casa e vou até o quintal, onde as coisas estavam, desarmado, sem sequer imaginar qual seria a reação destas criaturas e uma delas se aproxima e me diz "Nós não vamos te matar mas levaremos a anti-matéria" foi fácil perceber que a primeira parte dessa enigmática frase contradizia a vontade da criatura, a minha mãe entra no quarto e me vê de pé segurando a espingarda, me diz que ouviu os tiros e começa a dizer ou melhor berrar o quanto é errado ficar atirando por aqui que é área residencial e chamaram a polícia, eu conto a história toda mas ninguém acredita, ninguém mais viu "coisa nenhuma", ninguém sabe de "anti-matéria" nenhuma que maluquice é essa rapaz e querem me internar em um hospital psiquiátrico eu já disse EU NÃO SOU DOIDO
Thursday, July 24, 2008
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